MERCÚRIO
O mercúrio elementar (Hg0) é um líquido de elevada tensão superficial, inodoro e de coloração prateada. Os compostos mercurosos e os compostos mercúricos apresentam uma ampla variedade de cores. Os cloretos, nitratos, cloratos, cianetos, brometos e fluoretos são hidrossolúveis; os óxidos e os sulfetos são insolúveis em água.
Os compostos organomercuriais possuem átomos de carbono ligados ao mercúrio, Ex: metilmercúrio, alquilmercúrio.
No processo de extração o mercúrio é liberado no ambiente principalmente a partir do minério cinábrio (HgS).
A progressiva utilização do mercúrio para fins industriais e o emprego de compostos mercuriais durante décadas na agricultura, resultaram no aumento significativo da contaminação ambiental, especialmente da água e dos alimentos.
O agravamento desta situação é devido a especial característica do mercúrio no meio ambiente conhecida como Ciclo do mercúrio. A biotransformação do mercúrio inorgânico a metilmercúrio por bactérias é o processo responsável pelos altos índices do metal no ambiente. O metilmercúrio acumula-se em cada passo da cadeia alimentar, chegando a alcançar altos níveis nos peixes.
A mudança da forma inorgânica para a forma metilada é a etapa crucial para o acúmulo de mercúrio no meio aquático. As formas inorgânicas de mercúrio não se acumulam nos alimentos consumidos pelo homem a não ser em cogumelos. O processo de metilação ocorre principalmente nos sedimentos de água doce e nos oceanos. Pode ocorrer também no intestino dos peixes e no limo externo aderido ao peixe. A metilação de mercúrio envolve a presença de metilcobalamina (análogo de vitamina B12) produzida por síntese bacteriana. O metilmercúrio liberado pelos microorganismos entra na cadeia alimentar por difusão e liga-se às proteínas.
Também pode ocorrrer a intoxicação com mercúrio elementar. O processo de oxidação do mercúrio elementar ao mercúrio inorgânico Hg++ é realizado pela enzima catalase nos eritrócitos e nos tecidos.
Enzimas
(catalase) ou microorganismos,
sedimentos
Meio ambiente de água doce e oceanos
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Hg0 Hg++ CH3Hg+
Microorganismos
Farmacocinética
O trato respiratório é a via mais importante de introdução do mercúrio elementar nas exposições ocupacionais. Estima-se que aproxidamente 80% do mercúrio retido nos pulmões sejam absorvidos em razão de sua alta lipossolubilidade. Os metilmercúrios também podem ser inalados. A absorção cutânea de todos os compostos é possível mas as taxas são desconhecidas. O mercúrio elementar não é absorvido pelo tratoGI (absorção menoos do que 0,01%). Inorgânio é absorvido cerca de 7% e o orgânico é de 95%. Mercúrio elementar e inorgânico são excretados pela urina e o orgânico pelas fezes.
O metilmercúrio e seus homólogos alquilmercuriais de cadeia curta são uniformemente distribuído pelo organismo. A distribuição para todos os tecidos ocorre em 4 dias sendo que no SNC o nível máximo e’alcançado após 5-6 dias de exposição. Juntamente com o mercúrio elementar, distinguem-se pelos demais pela capacidade e atravessar com facilidade as barreiras hematoencefálica e placentária.
Os principais sítios de deposição de mercúrio são:
Mercúrio elementar: rins e cérebro
Inorgânicos: rins
Metilmercúrio: cérebro.
São excretados pela urina, e pequena parte por salina, suor e lágrimas
Meia vida:
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compostos |
Meia vida |
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Mercúrio elementar |
60 dias |
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Mercúrio inorgânico |
40-50 dias |
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Metilmercúrio |
120 dias |
Mecanismo tóxico:
O mercúrio é um elemento tóxico, não essencial e de efeito cumulativo. Possui grande afinidade por grupos sulfidrila, por fosfato, carboxila, amino.
A ação neurotóxica do mercúrio elementar ;e atribuída ao mercúrio inorgânico Hg++ formado por oxidação no tecido cerebral. Os íons mercúricos penetram nas membranas através dos canais de sódio e cálcio causando despolarização irreversível.
Tanto os íons mercúricos quanto os metilmercúrios reagem com DNA e RNA e alteram as estruturas terciárias destas moléculas, também interferem em estruturas lipídicas, na síntese de DNA mitocondrial, na mielina e na enzima glutationa peroxidase. O transporte de aa através de microtúlulos é inibido pelo metilmercúrio. O metilmercúrio reage principalmente com os grupos sulfidrilas dos ribossomas.
Nos rins provoca lesão glomerular por reação autoimune e perdas de enzimas tubulares renais.
Síndrome tóxica
As intoxicações por exposições ocupacionais raramente ocorrem a curto prazo e o mais comum são intoxicações a longo prazo.
Intoxicações
a curto prazo:
Para mercúrio elementar:Febres, calafrios, dispnéia e cefaléia, diarréia, cãibras abdominais e diminuição da visão. Raramente ocorre falência renal aguda
Metilmercúrio nos adultos diferem dos fetos pois causa lesões neurológicas graves. Adulto afeta mais visão, audição e coordenação. A parestesia pode ser permanente.
Intoxicação
a longo prazo:
Por mercúrio elementar: Gengivite, salivação, estomatite, tremor e alterações psicológicas (perda de memória, insônia, perda de apetite, instabilidade emocional).
Mercúrio inorgânico: além datríade envolovendo a cavidade oral disfunção renal, alterações dermatológicas, cardiovasculares e neurocomportamentais.
Metilmercúrio: ataxia (ccordenação), diminuição do campo visual, disartria.
Relação dose-efeito
A NR-15 (Brasil) estabelece como limite de tolerância para mercúrio elementar no ambiente concentrações de 0,04 mg/m3.
As doses letais variam de 29 mg/kg a 50 mg/kg.
A ingestão diária de 3-7 µg pode provocar efeitos adversos no SNC. O que resulta em parestesia da boca, pés e mãos . Nestes níveis de ingestão as concentrações encontradas nos cabelos são da ordem de 50-125 µg/g.
Quando as mulheres grávidas apresentam 70 µg/g de metilmercúrio nos cabelos os fetos apresentam risco de 30% de sinais de anormalidade neurológica. De 10-20 µg/g apresentam 5% de risco de anormalidade neurológica.
Prevenção:
O WHO estabeleceu o limite de 300 µg (5 µg/kg) de ingestão de mercúrio total sendo que não mais de 200 µg (3,3 µg/kg) de metilmercúrio. Estes limites não são válidos para mulheres grávidas e em período de amamentação.
No Brasil o limite máximo de tolerância em peixes é 0,5 ppm (para não predadores 0,5 mg/kg e para predadores 1 mg/kg) e genericamente para qualquer outro tipo de alimento 0,01 ppm.
Quando os níveis são elevados afasta-se o indivíduo da fonte contaminadora.
Primeiros Socorros
Na inalação
Retirar da exposição, administrar oxigênio, se necessário. Atenção à possibilidade de o paciente apresentar pneumonite. Em caso de intoxicação aguda, administrar BAL (2-3 dimercaptopropanol) via intramuscular.
Na intoxicação crônica não existe antídoto específico. Pode-se tentar:
· Penicilamina: 250 mg 4 vezes ao dia, durante 10 dias.
Na ingestão
A indução do vômito está indicada em ingestão recente, e se o paciente está consciente e não tem convulsões. Pode ser usado xarope de ipeca. Se após duas doses não houver êxito, estará indicada a lavagem gástrica.
O carvão ativado em solução pode ser utilizado. Uma resina de politiol absorve o mercúrio em casos de envenenamento agudo
No contato com a pele
Lavar com água.
No contato com os olhos
Lavar com água corrente.
Controle biológico
Dosagem urinária do mercúrio. IBMP (NR 7) = 35 ug/g creatinina. No sangue para metilmercúrio 10 ug/100 mL e para inorgânico 15 ug/L